A
arte da vida: diários
pessoais e webcams na Internet
(por André
Lemos)
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A utilização e grande
difusão de webcams e de diários
pessoais se deve principalmente: por serem formas de expressões individuais;
pela variedade de design e personalização por meio de hipertextos e emissão de
imagens; pela total liberdade de expressão e contato social (acesso a todos na
rede).
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“Webcams são
câmeras que, ligadas a computadores com acesso à Internet, podem fazer de qualquer
usuário um emissor de imagens. Baratas e de fácil utilização, as webcams tornam-se
um fenômeno social muito interessante dentro da grande rede telemática mundial.
Com as webcams, internautas exibem suas vidas 24 horas por dia. Em
qualquer lugar você pode vê-los dormindo, trocando de roupa, indo ao banheiro,
etc... Existem também webcams que transmitem o trânsito de uma
determinada rua ou que mostram partes de uma determinada cidade” (p.2). Apesar
de críticas ao uso desta ferramenta como uma nova forma de promover exibicionismo,
narcisismo, auto-vigilância e auto-disciplina, ela também pode ser uma forma de
construção identitária, e um desejo de se conectar aos outros e transformar sua
vida banal em “arte”.
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“Ciberdiários,
webdiários ou weblogs são
práticas contemporâneas de escrita online, onde usuários comuns escrevem
sobre suas vidas privadas, sobre suas áreas de interesse pessoais ou sobre
outros aspectos da cultura contemporânea” (p.3). A maior diferença entre os
antigos diários pessoais e os webdiários são seus modos de exibição, visto que este
último, por ter um formato hipertextual, torna-se mais dinâmico e de fácil
acesso ao público, porém ambos são autoficção narcisísticas, reconstrução
identitária e expressão da individualidade.
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O uso de webcams e ciberdiários não está associado
a uma representação literal da vida,
mas como ela é interpretada por cada
usuário. O indivíduo interpreta e constrói sua própria realidade social, ou
seja, realiza a escrita e construção do si. Para quem acompanha esses
“diários”, é na banalidade dos relatos e do que é exposto publicamente que
“podemos suportar melhor a existência” (p. 13).