Abaixo, resumo de
mais 3 pontos discutidos no encontro de junho, a partir da leitura do livro Virtually You de Elias Aboujaoude.
Capítulo 4: A imoralidade ordinária de todo dia
Segundo Aboujaoude, a imoralidade online se dá de diversas formas, como
por exemplo nos sites que ensinam passo a passo a resolução de problemas de livros
didáticos, nos sites de venda de artigos e trabalhos acadêmicos, nos grupos de
perpetuação de ódio contra minorias, na pornografia – que representa 35% dos
downloads feitos no mundo – e no cyberstalking (a “perseguição” a alguém, pelas
redes sociais, por exemplo).
Como
diz o autor, a internet facilita a suspensão de códigos éticos em conduta e
comportamento, e traços de civilidade e sociabilidade podem rapidamente sumir nas interações
virtuais ao comentar uma notícia ou divergir de uma opinião.
Por
que ocorre mais facilmente essa agressividade, imoralidade, e falta de boas
maneiras online? Alguns motivos seriam o anonimato virtual, a rapidez na qual
dada situação sai do controle, e o sentimento de empoderamento ao engajar-se em
explosões de raiva que violam a decência no mundo real.
Apesar
de tudo, o autor reitera que a internet também é capaz de gerar bondade,
solidariedade e simpatia: para cada loja virtual que venda softwares de
espionagem, há sites gratuitos ensinando a desabilitá-los; para cada site
ensinando métodos de suicídio, há sites de auto-ajuda e aconselhamento; para
cada grupo de ódio recrutando seguidores, há organizações online recolhendo
donativos para pregar tolerância e recuperação de vítimas; e assim por diante.
Capítulo 5: Impulsividade
Impulsividade
é definida como a falha em resistir ao impulso, à motivação ou à tentação que
seja potencialmente prejudicial a si mesmo ou aos outros. É caracterizada pelo
descuido e submestimado senso de dano, além de impaciência e tendência a
assumir riscos e buscar prazer e gratificação. O impulso torna-se patológico quando é
repetitivo, difícil de resistir, e seriamente danoso à qualidade de vida,
especialmente em relacionamentos, trabalho e performance escolar.
É mais
fácil ser impulsivo na rede do que na vida longe do computador. A internet
dificulta o comportamento sabiamente planejado, que por sua vez garante a
oportunidade de analisar fatos, considerar lados positivos e negativos,
intervir em um processo para abortá-lo, etc. Em outras palavras, na internet é
mais delicado conseguir que nossas funções cognitivas intervenham e coloquem um
freio nos comportamentos potencialmente problemáticos que assumimos, antes que
eles ocorram. Assim, é preciso um esforço ainda maior para resistir tentações,
especialmente em um mundo impulsivo, impaciente e orientado pela gratificação
imediata, como o que vivemos hoje.
Capítulo 6: Regressão infantil e a tirania do
emoticon
A
regressão infantil é observada em e-mails, mensagens de texto, páginas de relacionamento
e na blogsfera como um todo. Ela ocorre porque muitas imaturidades não
permitidas offline (petulância, evasão de responsabilidade, atitude mimada) soam
menos problemáticas online. Dito de outro modo, no mundo virtual, muitos
adultos encontram uma forma conveniente de evitar as complexidades da vida e
agir como criança novamente.
A
internet facilita uma inversão em hábitos e comportamentos normalmente
ensinados e transmitidos: cada vez mais os pais parecem aprender com as
crianças, e não o contrário. Segundo Abojaoude, como imaturidade tende a levar
à mais imaturidade, a regressão é problemática porque fica difícil para os pais
fazerem seu papel de pais (ser modelo, ensinar, inspirar comportamento adulto),
especialmente se os pais agem como os filhos.
A
linguagem usada na internet é o maior sintoma da regressão que marca a
e-personalidade, e exemplifica o argumento da imaturidade dos pais e os
problemas decorrentes. Adultos estão escrevendo (e agindo) como crianças.
Ocorre redução e abreviação de palavras, uso errado de letras minúsculas, e o
uso do emoticon, que representa um substituto simples à comunicação complexa e
lógica.
Muitos
linguistas defendem a criatividade e poder de escolha na forma como a linguagem
virtual ocorre. David Crystall, por exemplo, não acha tais mudanças ruins, e
sim interessantes , além de serem provas de que a língua é orgânica, dinâmica e
viva. Já para Aboujaoude, do ponto de
vista da psiquiatria, esses jogos com a língua são mais regressivos que
progressivos. A internet estimula a resposta imediata, em velocidade
desproporcionada, impedindo o processo de reflexão. Assim, as trocas de
comunicação tornam-se cheias de atalhos e ataques à língua, em uma regressão infantil
através da tirania do emoticon, que simplifica
complexidades.