domingo, 15 de julho de 2012

Mais pontos discutidos (encontro de junho)


Abaixo, resumo de mais 3 pontos discutidos no encontro de junho, a partir da leitura do livro Virtually You de Elias Aboujaoude.

Capítulo 4: A imoralidade ordinária de todo dia

Segundo Aboujaoude, a imoralidade online se dá de diversas formas, como por exemplo nos sites que ensinam passo a passo a resolução de problemas de livros didáticos, nos sites de venda de artigos e trabalhos acadêmicos, nos grupos de perpetuação de ódio contra minorias, na pornografia – que representa 35% dos downloads feitos no mundo – e no cyberstalking (a “perseguição” a alguém, pelas redes sociais, por exemplo).

Como diz o autor, a internet facilita a suspensão de códigos éticos em conduta e comportamento, e traços de civilidade e sociabilidade  podem rapidamente sumir nas interações virtuais ao comentar uma notícia ou divergir de uma opinião.

Por que ocorre mais facilmente essa agressividade, imoralidade, e falta de boas maneiras online? Alguns motivos seriam o anonimato virtual, a rapidez na qual dada situação sai do controle, e o sentimento de empoderamento ao engajar-se em explosões de raiva que violam a decência no mundo real.

Apesar de tudo, o autor reitera que a internet também é capaz de gerar bondade, solidariedade e simpatia: para cada loja virtual que venda softwares de espionagem, há sites gratuitos ensinando a desabilitá-los; para cada site ensinando métodos de suicídio, há sites de auto-ajuda e aconselhamento; para cada grupo de ódio recrutando seguidores, há organizações online recolhendo donativos para pregar tolerância e recuperação de vítimas; e assim por diante.

Capítulo 5: Impulsividade

Impulsividade é definida como a falha em resistir ao impulso, à motivação ou à tentação que seja potencialmente prejudicial a si mesmo ou aos outros. É caracterizada pelo descuido e submestimado senso de dano, além de impaciência e tendência a assumir riscos e buscar prazer e gratificação.  O impulso torna-se patológico quando é repetitivo, difícil de resistir, e seriamente danoso à qualidade de vida, especialmente em relacionamentos, trabalho e performance escolar.

É mais fácil ser impulsivo na rede do que na vida longe do computador. A internet dificulta o comportamento sabiamente planejado, que por sua vez garante a oportunidade de analisar fatos, considerar lados positivos e negativos, intervir em um processo para abortá-lo, etc. Em outras palavras, na internet é mais delicado conseguir que nossas funções cognitivas intervenham e coloquem um freio nos comportamentos potencialmente problemáticos que assumimos, antes que eles ocorram. Assim, é preciso um esforço ainda maior para resistir tentações, especialmente em um mundo impulsivo, impaciente e orientado pela gratificação imediata, como o que vivemos hoje.

Capítulo 6: Regressão infantil e a tirania do emoticon

A regressão infantil é observada em e-mails, mensagens de texto, páginas de relacionamento e na blogsfera como um todo. Ela ocorre porque muitas imaturidades não permitidas offline (petulância, evasão de responsabilidade, atitude mimada) soam menos problemáticas online. Dito de outro modo, no mundo virtual, muitos adultos encontram uma forma conveniente de evitar as complexidades da vida e agir como criança novamente.

A internet facilita uma inversão em hábitos e comportamentos normalmente ensinados e transmitidos: cada vez mais os pais parecem aprender com as crianças, e não o contrário. Segundo Abojaoude, como imaturidade tende a levar à mais imaturidade, a regressão é problemática porque fica difícil para os pais fazerem seu papel de pais (ser modelo, ensinar, inspirar comportamento adulto), especialmente se os pais agem como os filhos. 

A linguagem usada na internet é o maior sintoma da regressão que marca a e-personalidade, e exemplifica o argumento da imaturidade dos pais e os problemas decorrentes. Adultos estão escrevendo (e agindo) como crianças. Ocorre redução e abreviação de palavras, uso errado de letras minúsculas, e o uso do emoticon, que representa um substituto simples à comunicação complexa e lógica.

Muitos linguistas defendem a criatividade e poder de escolha na forma como a linguagem virtual ocorre. David Crystall, por exemplo, não acha tais mudanças ruins, e sim interessantes , além de serem provas de que a língua é orgânica, dinâmica e viva.  Já para Aboujaoude, do ponto de vista da psiquiatria, esses jogos com a língua são mais regressivos que progressivos. A internet estimula a resposta imediata, em velocidade desproporcionada, impedindo o processo de reflexão. Assim, as trocas de comunicação tornam-se cheias de atalhos e ataques à língua, em uma regressão infantil através da tirania do emoticon, que simplifica  complexidades.